03/04/2016 - Bombeiros Voluntários em destaque no Correio do Povo

Bombeiros Voluntários em destaque no Correio do Povo

Durante 12 dias, em fevereiro deste ano, quatro bombeiros voluntários gaúchos ministraram um curso de socorros para colegas da cidade de Caldas de Vizela, distrito de Braga, em Portugal. A oportunidade se deve ao fato de a Associação dos Bombeiros Voluntários do Rio Grande do Sul (Voluntersul) ter seis de seus integrantes com curso especializado em procedimentos em incêndio.

Os gaúchos ministraram o curso de 16 a 27 de fevereiro para 42 bombeiros voluntários portugueses. Existe a possibilidade de o mesmo curso ser desenvolvido por integrantes da Voluntersul na República de Cabo Verde, na África.

 

O RS tem mais de 1,1 mil pessoas que incluíram em suas rotinas mais uma responsabilidade: o trabalho como bombeiro voluntário. A atuação deste grupo tem como reflexo o atendimento anual de 1,4 mil incêndios, 15 mil resgates e 7,5 mil atendimentos de suporte à população, como corte de árvores e sinalização de locais perigosos. Fundada em 1981, a Voluntersul é responsável pela unificação destes trabalhadores, que estão espalhados em 41 grupos pelo Estado. A capacidade de atendimento dos voluntários alcança 90 municípios gaúchos.

A Voluntersul foi criada com o objetivo de fortalecer os laços entre seus integrantes e incentivar o desenvolvimento das atividades de bombeiros voluntários no RS. “O Corpo de Bombeiros Voluntários existe porque há uma lacuna no serviço de bombeiro”, afirmou o presidente da Voluntersul, Edison Eduardo Rother.

Segundo ele, o Brasil carece de um sistema organizado de emergência de bombeiros. E a partir dessa necessidade, nasceu o voluntariado. “É um trabalho que veio no sangue dos colonizadores. Nos países europeus, os bombeiros voluntários são uma realidade há muito tempo”, afirmou. Os bombeiros voluntários exercem quase as mesmas atividades dos bombeiros militares. “A função fiscalizadora é de exclusividade dos militares”.

A estrutura da Voluntersul conta com 166 veículos. Entre eles estão 62 caminhões-tanque. O resto da frota é composta, em sua maioria, por carros de resgate e ambulâncias. “Também contamos com 94 equipamentos de proteção respiratória e 30 de desencarceramento, entre outros materiais”, acentuou o presidente da Voluntersul.

Capacitação é constante

Na busca pela capacitação dos bombeiros voluntários do RS, a Voluntersul conheceu ao flashover em 2011. O curso é especializado na interpretação e procedimento do bombeiro durante o desenvolvimento de um incêndio. Junto ao RIT, que trata da sobrevivência e resgate em áreas de incêndio, são os cursos mais importantes para o bombeiro. A Voluntersul possui seis de seus integrantes formados na flashover.Há somente mais um grupo no Brasil com o mesmo certificado da associação gaúcha. As diferenças na formação, salienta Rother, são o conteúdo pedagógico e a metodologia de ensino.

O perfil do bombeiro voluntário gaúcho é variado. Há profissionais de diversas áreas. “Há empresários, comerciantes, enfermeiros e diversos outros tipos de profissionais que atuam como bombeiros voluntários. Eles não são remunerados e trabalham conosco nas horas de folga”.

“Brasileiro é solidário”

O ingresso na função de bombeiro voluntário ocorre por diversas motivações. Entretanto, de acordo com Edison Eduardo Rother, presidente da Voluntersul, a nacionalidade brasileira pesa na hora da escolha. “O povo brasileiro é muito solidário. Ele quer ajudar na situação de emergência”, analisou Rother.

O presidente da associação salienta que existem outros fatores que levam uma pessoa a querer ser bombeiro voluntário. A influência de amigos ou de familiares que fizeram ou fazem parte da categoria ou a experiência em uma situação de emergência na qual a pessoa não sabia o que fazer são itens que influenciam na decisão de ser voluntário. “Quem ingressa no Corpo de Bombeiros Voluntários acaba envolvendo-se de uma forma muito profunda com a atividade”, afirma Rother, ressaltando que o efetivo da Voluntersul é capacitado para combater incêndio e prestar os primeiros socorros.

Por Marco Aurélio Ruas, Correio do Povo