19/08/2011 - O ALERTA VEM DA NORUEGA

O  ALERTA  VEM  DA  NORUEGA

Os lamentáveis e sinistros acontecimentos ocorridos recentemente na Noruega, um dos países mais pacíficos do planeta e que ocupa destacada posição mundial em termos do Índice de Desenvolvimento Humano, estabelecido pela Organização das Nações Unidas, confirmaram, mais uma vez, o quanto essa premissa é fundamental para condicionar a atuação dos profissionais ou voluntários do salvamento.

  Os atos cometidos foram considerados tão monstruosos, pois foi o maior massacre de pessoas inocentes e indefesas desde o término da 2ª Guerra Mundial, que a justiça daquele país pretende enquadrar o seu autor, Anders Breyvik, um extremista anti-comunista e anti-muçulmano, como tendo cometido um " crime contra a humanidade ".

  Todavia, independente das motivações ideológicas ou possíveis perturbações mentais do assassino de quase 100 pessoas ( vítimas do tiroteio na ilha de Utoeia ou das explosões na zona central de Oslo ), foi, no entanto, a demora e o retardo no início das operações de socorro que chamaram a atenção de todos que passaram a acompanhar os trágicos eventos.

  É lógico que a surpresa sobre o fato de que tal episódio pudesse ter ocorrido em um país organizado e disciplinado como a Noruega, cujo povo culto, saudável e trabalhador nunca deu demonstrações de violência ou inconformismo, não justificam o despreparo inicial ( falta de meios operativos simples ) demonstrado pelas unidades de segurança para o enfrentamento da crise que se desenrolava no acampamento dos jovens integrantes do partido situacionista. Afinal, perturbados mentais, psicopatas e inconseqüentes existem em todos os lugares do mundo, inclusive na Noruega, no Brasil e no Rio Grande do Sul e suas ações são imprevisíveis, podendo se tornarem realidades a qualquer momento e em qualquer lugar.

  Por isso, a preparação e a capacidade de pronta resposta das unidades de salvamento diante de fatos repentinos fazem a diferença entre o número de vítimas que qualquer evento desastroso possa provocar. Unidades de salvamento sem capacidade de mobilização e deslocamento imediato devem ser desativadas e reestruturadas para que possam cumprir suas tarefas de forma adequada.

   Que essa triste lição sirva como alerta para todos aqueles que tem sob sua responsabilidade a suprema missão de proteger e salvar a vida de seus semelhantes.

(*) JOÃO BELÉM é Diretor de Segurança Operacional da VOLUNTERSUL.